Finalidade

Por que as igrejas devem estar ligadas a uma “Convenção”?

Qual seria a base bíblica para isso? Consideremos então as questões abaixo:

 

 

 

 

1. Conforme o entendimento batista, nenhuma convenção está acima das Igrejas como órgão de comando.

Os batistas enfatizam a autonomia da Igreja local, e com boa fundamentação bíblica para esse entendimento. Vários textos, no Novo Testamento, apontam para a autonomia da Igreja local: Mt 18.17; At 11.26; 1 Co 1; 1 Co 2; Gl 1.2 e 1 Ts 1.1, apontam para a existência de Igrejas locais e autônomas; 


2. Por outro lado, o Novo Testamento apresenta um quadro que, no mínimo, dá a idéia de mutualidade, cooperação e mesmo identidade no âmbito da fé e da prática, em que pesem as diferenças étnicas e culturais entre as diferentes regiões geográficas.  Basta lembrar alguns textos das cartas apostólicas, tais como: Rm 15.25-28; 1 Co 16.2; 2 Co 8.7-9 (cooperação para a obra missionária e ajuda social); 1 Co 5.1-5; 2 Co 2.5-6 (cuidado com a disciplina na Igreja); 1 Co 11.16; 1 Co 14.39-40 (a preocupação com a ordem e descência nas “Igrejas de Deus”, inclusive mantendo a comunhão das Igrejas entre si através do envio de cartas de recomendação de membros às Igrejas coirmãs: At 18.27; Rm 16.1-2). Uma prática que, infelizmente, vai-se perdendo ao longo dos últimos tempos!; 
3. Assim, Igrejas aliançadas numa “convenção”, além de serem estimoladas à comunhão e fraternidade, fortalecem o engajamento missionário, pois, juntas, certamente poderão fazer mais do que isoladamente – em especial quando se trata de Igrejas pequenas. O que uma, separadamente, não consegue, torna-se possível ao ajuntar-se a outras com o mesmo propósito. Trata-se, efetivamente, de uma aliança. Uma boa analogia disso é o matrimônio. Claro que o verdadeiro casamento não consiste de umaa certidão expedia pelo cartório competente. Ela é uma confirmação legal conforme os ditames da lei, recomendável por vários motivos, e mesmo necessária. Mas o verdadeiro casamento está baseado numa relação de amor e compromisso mútuos. Assim, Igrejas e convenção firmam uma aliança, cuja efetividade, é óbvio, se concretiza não por regras e disposições estatutárias (embora necessárias do ponto de vista legal) – mas pelo compromisso com a causa do Senhor, a obra missionária no mundo! 
4. A convenção, por seus dirigentes, certamente pode ocorrer em desacertos e equívocos. E no âmbito eclesial também não é diferente. Mas numa Denominação com princípios democráticos sempre será possível haver correções e renovação de lideranças. Relatórios, comissões e eleições – tudo isso concorre para a correção de rumos e para o alcance dos objetivos comuns. Sem dúvida, isso pressupõe sensibilidade, compreensão, e muita oração. 
Mas, sobretudo, direção e capacitação pelo Espírito Santo, que é o verdadeiro e poderoso propulsor das missões. É Ele que promove a tão desejada unidade, no sentido mais amplo e mais profundo do termo.

Finalizando a nossa reflexão, podemos exclamar com alegria: como é bom fazer parte de uma convenção de Igrejas! Nela experimentamos fraternidade, cooperação para o crescimento do reino de Deus e vivenciamos a alegria de ver muitos frutos preciosos, que são as vidas transformadas por Cristo. O autor dessas linhas, tendo viajado por este Brasil a fora, é testemunha dessas realidades. E ousa afirmar: “Por nenhuma razão uma Igreja deveria ficar isolada – pelo contrário, “Crescendo em Harmonia e Aliança” com sua Denominação – será abençoada e se tornará uma agência abençoadora”.

 

Você, leitor Batista Independente, tem sabido valorizar o privilégio de pertencer a uma Igreja que, ligada a sua convenção, está promovendo mais extensamente o reino de Deus.

 

 

Texto: Pr. José Tomáz R. Lima